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sábado, 12 de fevereiro de 2011

O Mundo árabe está em chamas: entrevista com um anarquista sírio

Entrevista retirada de A-Infos (http://www.ainfos.ca/pt/ainfos04784.html). O ditador Hosni Mubarak (Egito) ainda não havia renunciado ao cargo de presidente, fato que ocorreu ontem, 11 de fevereiro.

As revoltas que explodiram no mundo árabe no Iêmen, Tunísia e agora no Egito apanharam todos de surpresa. Constituem, sem sombra de dúvida, um dos acontecimentos mais relevantes do nosso tempo e são um sinal claro de que já não é possível, em lugar nenhum, continuar-se a ser um joguete de ditador com o apoio imperialista. Os regimes extraordinariamente autoritários como os de Ben Ali revelaram-se completamente impotentes perante um povo com grande determinação, unido na luta. São jovens, trabalhadores, desempregados, pobres, os que levam a cabo esta tarefa de mudar o rosto da região provocando calafrios aos mandantes de Washington e de Tel Aviv. Nem todas as armas do regime de Mubarak, nem toda a ajuda militar dos EUA, conseguiram controlar a extensão do protesto. Os rebeldes revelam o poder do povo e da classe trabalhadora quando se unem, a capacidade política dos homens e mulheres comuns para formar organismos de poder dual, com um claro instinto libertário para além de demonstrarem ao mundo que nos encontramos já numa era de mudanças revolucionárias.

Estabelecemos um breve diálogo com o nosso companheiro e amigo Mazen Kamalmaz, da Síria - editor do blog anarquista árabe http://www.ahewar.org/m.asp?i=1385 - que nos falou da importância deste esplêndido acontecimento político.


Pergunta < Parece que toda uma repentina onda de protestos massivos está a sacudir as fundações dos velhos regimes opressivos no mundo árabe? Havia indícios de que isto poderia suceder?
Mazen Kamalmaz < Este é um dos aspectos mais interessantes da onda revolucionária que se está a expandir por todo o mundo árabe que chega quando nada o fazia prever. Ainda alguns dias antes das manifestações massivas e sucessivas no Egito a Secretaria de Estado dos EUA, Hillary Clinton, declarava que o governo egípcio era estável e neste momento nada é estável na região: a insurreição mantém-se de pé e para todos os regimes repressivos espera-se o pior. Há aspectos que se reportam a todas estas sublevações tais como a raiva e ressentimento que estavam escondidos, silenciados pela repressão dos Estados, a pobreza e o desemprego crescentes – a que os regimes, estadistas e até intelectuais não prestaram a devida atenção – em relação aos quais os governos, locais ou ocidentais, pensaram que poderiam manter a revolta sob controle? agora sabemos como se enganaram.

Pergunta < Qual a importância da saída de Ben Ali do governo da Tunísia?
Mazen < Este é apenas o primeiro passo do que está para vir. Supõe que o povo, o povo em luta, consegue desafiar a repressão e vencer. É muito cedo para falar sobre o desenlace final, é tudo demasiado complexo ainda, mas o povo já conseguiu ter consciência do seu poder real e apesar disso mantém-se na rua, de modo que a luta ainda se encontra aberta a muitas possibilidades.

Pergunta < Para aonde se está a expandir a revolta? Que países podem experimentar rebeliões massivas?
Mazen < Hoje pode-se afirmar seguramente que qualquer um poderia ser o próximo. Talvez a Argélia, Iêmen ou Jordânia sejam candidatos fortes, mas temos de ter em conta que uma revolução no Egito teria um grande impacto na região, impacto esse que superaria os piores pesadelos dos ditadores e dos seus partidários na região.

Pergunta < Qual seria a relevância de uma revolução no Egito, o segundo maior receptor de ajuda militar estadunidense em todo o mundo?
Mazen < O Egito é o país com as maiores dimensões do Oriente Médio e o seu papel estratégico é muito importante. É um dos principais pilares da política estadunidense nessa região. A pressão das massas é um fator a ter em conta daqui pra frente, inclusive em relação à sobrevivência do velho regime resistir durante algum tempo mais ou não, ou se o novo regime será pró estadunidense. Resumindo, os EUA, o principal apoio do regime atual, irá sofrer o efeito da rebelião das massas egípcias.

Pergunta < Qual o papel dos Irmãos Muçulmanos nestes protestos? E da ?velha guarda? da esquerda?
Mazen < Um aspecto muito importante destas manifestações e revoltas é que tiveram uma origem totalmente espontânea e iniciada pelas massas. É verdade que os diferentes partidos políticos juntaram-se a elas mais tarde, mas todo o processo foi, em grande medida, uma manifestação de ação autônoma por parte das massas. Isto é também válido para os grupos políticos islamitas. Embora estes ditos grupos pensem que as futuras eleições os poderiam levar agora ao poder, com as massas em rebelião nas ruas isso será difícil, dado que se negaram ativamente a submeter-se de novo a outro poder repressivo, mas mesmo no caso que isso sucedesse, o povo não aceitaria ser submetido nesta ocasião, enquanto se mantém fresca para a maioria a memória eufórica das parcelas de liberdade que alcançaram através da sua própria luta. Nenhum poder os poderia forçar facilmente a submeter-se de novo a algum regime repressivo. Outro aspecto a ter em conta é que durante as revoluções o povo é mais receptivo às idéias libertárias e anarquistas, e que é a liberdade a idéia hegemônica do momento não o autoritarismo. Alguns dos grupos estalinistas só representam o rosto mais feio do socialismo autoritário... Por exemplo, o antigo Partido Comunista da Tunísia participou com o partido dominante de Ben Ali no governo formado após a expulsão do próprio Ben Ali. Outro grupo autoritário, o Partido Comunista dos Trabalhadores da Tunísia, participou ativamente nos protestos, mas depressa manifestaram as suas contradições: quando Ben Ali escapou tratou de criar conselhos ou comitês locais para defender o processo e logo de seguida retratou-se e apelou para se criar um novo parlamento e governo. No Egito passa-se praticamente o mesmo, há grupos reformistas de esquerda, como o Partido da Unidade Progressista e alguns revolucionários da esquerda autoritária. Não posso dizer com exatidão qual o papel dos anarquistas ou de outros libertários - há uma crescente tendência comunista conselhista junto a eles - devido à falta de comunicação com os nossos companheiros de lá, mas não posso deixar de ressaltar o que disse anteriormente: que estas revoluções foram feitas principalmente pelas próprias massas. Na Tunísia, os sindicatos mais fortes tiverem um grande papel nas últimas fases da revolta. Quero referir um pouco mais aos comitês locais criados pelas massas, uma das manifestações mais interessantes da sua ação revolucionária. Perante a pilhagem, iniciada sobretudo pela polícia secreta, o povo criou os ditos comitês como instituições realmente democráticas, como uma competência real de oposição às instituições autoritárias? No Egito até ao dia de hoje os governos, os comitês locais e o governo de Mubarak escondiam-se atrás dos tanques e das espingardas dos seus soldados. Isto está a suceder numa região assolada por ditaduras e pelo autoritarismo... Isso é o grandioso das revoluções que transformam o mundo rapidamente. Isto não significa que a luta esteja ganha, pelo contrário, isto significa que a luta real acaba de começar.

Pergunta < Para resumir, qual o seu ponto de vista sobre os acontecimentos? O que pensa que simbolizam?
Mazen < É o começo de uma nova era, as massas estão se sublevando e a sua liberdade está em jogo, as tiranias tombam... Sem dúvida estamos a assistir ao nascimento de um mundo novo.

Tradução < Liberdade à Solta
agência de notícias anarquistas-ana

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

A França Arde...

Após o levante grego, depois de manifestações e greve geral na Espanha, a França se levanta, nesse mês de outubro, contra o plano de reforma da aposentadoria, o que elevaria a idade mínima para se aposentar de 60 para 62 anos.

Separei algumas páginas com informações a respeito da situação francesa:
A-Infos - Informe de membros da CNT-AIT sobre as manifestações contra os planos de manifestações contra os planos de Sarkozy
Pimenta Negra - Fotos das manifestações e da contestação social em França
Pimenta Negra - Manifestação em Paris contra a alteração da idade da reforma
Fotos

quarta-feira, 9 de junho de 2010

O naufrágio da economia grega, a ilha insubmissa e as ondas reflexivas na internet


(Indicação de dois artigos sob o ponto de vista anarquista)

Tenho lido diversos textos sobre os acontecimentos recentes na Grécia. Se por um lado, a crise grega teve pesada carga negativa para o capitalismo e para o bloco europeu, por outro, as manifestações da população grega deram novo ânimo ao movimento anarquista da Grécia, e de todo o mundo, e aos movimentos autonomistas e libertários. Essas manifestações foram reflexos do plano de austeridade, imposto pela União Européia e pelo FMI ao governo grego para a liberação de empréstimo que visa a recuperação da frágil economia do país. Anos de corrupção de governos de direita e esquerda fizeram com que a economia naufragasse e desembocasse nesse mar revolto.

Na internet, dentre vários artigos que tenho lido, dois me chamaram a atenção. O primeiro é uma reflexão do Nu-SOL (Núcleo de Sociabilidade Libertária) sobre o anarquismo grego. O texto do Nu-Sol, "grécia: a vida começa com fogo", abarca os avanços e recuos do anarquismo neste oceano de incertezas grego. Partindo daí, põe na prancha não apenas o movimento daquele canto do mundo. Percebendo a possível captura da insubmissão grega pelo sistema, o Nu-SOL afirma: "É preciso dissolver a distinção entre coletivistas e individualistas./É precioso o ar daqueles que se incomodam com a sobrevivência a partir de si próprios./É pressa por revolta!/ O mundo é outro! O fogo é o mesmo!".

O outro texto está na última edição do periódico chileno El Surco, a de número 16. O artigo de Malgenio Volga, "Grecia: la cuna y la tumba de occidente" (Grécia: o berço e a tumba do ocidente, numa tradução livre), também solto nesse mar de informações, reflete a situação na qual o anarquismo grego se encontra, recuperando os acontecimentos que fizeram desaguar as revoltas gregas. O texto termina apontando o fato de que o conflito ainda não possui um desenlace: "El relato aún se escribe y dependerá de la fuerza de cada agonista de que la obra finalizada desemboque en tragedia o epopeya de una nueva sociedad que puja por abrirse paso en un contexto de crisis económica, ecológica, política, total".

Especulações a parte, são dois bons textos que merecem ser lidos por quem acompanha as notícias da Grécia, que ainda não encontrou terra firme, nesse oceano de informações que é a internet. E, desta forma, difundo também a 16ª edição do El Surco, basta entrar na página do jornal mensal e baixá-lo. Trata-se de periódico que, apesar de curto, abarca assuntos nacionais (chilenos) e internacionais com igual relevo. Que esse belo oceano não deixe de enviar boas ondas, como essas, à nossas praias que anseiam por liberdade...

Dr. Bogóloff

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Nu-Sol e Grécia





Enquanto me falta tempo para elaborar um texto para publicar aqui, sobre Lima Barreto ou sobre qualquer outra coisa, vou requentanto notícias e colocando novo link para o Nu-Sol e para um texto produzido pelos componentes do Nu-Sol.

O Nu-Sol (Núcleo de Sociabilidade Libertária), ligado ao programa de estudos pós-graduados em ciências sociais da PUC-SP, possui um "anti-programa" televisivo; publica a revista "Verve", que tem por tema os anarquismos; difunde textos criados por seus integrantes na página do núcleo; além de toda a produção acadêmica desenvolvida. O sítio é este: http://www.nu-sol.org/index.php.

No dia 04 de novembro, foi divulgado um texto do Nu-Sol tratando da invasão da FAG (Federação Anarquista Gaúcha), do assassinato de Chrystian em Roraima e da liberdade.
Para acessar este texto: http://www.nu-sol.org/agora/agendanota.php?idAgenda=310.

Chegando mais próximo do hoje, na Grécia, estalaram novas revoltas. Relembrando um ano da morte do jovem de 15 anos Alexandros Grigoropoulos, manifestantes voltaram a protestar. O governo socialista, que assumiu o poder em outubro deste ano, tem se mostrado tão repressor quanto o governo anterior.
Saiu no Estadão, deve ter saído na Folha, mas no C.M.I.-Brasil (Centro de Mídia Independente) não saiu nada. No entanto, há um texto tratando do assunto no Alasbarricadas.org, em espanhol.
Basta clicar nos nomes dos jornais que entrará no site correspondente.